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Clipping do dia:      07/10/2010
Data de veiculação: 06/10/2010

Jornal do Brasil

Novo remédio para a esquizofrenia

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Estudo inglês pode levar a medicamentos que agem mais rapidamente, sem efeito colateral.

Uma nova pesquisa, feita em Londres, na Inglaterra, associou psicose a uma relação anormal entre duas substâncias químicas de sinalização no cérebro . Os resultados, publicados no jornal Biological Psychiatry, sugerem um novo enfoque para prevenir sintomas psicóticos, o que poderia gerar medicamentos melhores contra a esquizofrenia.

A esquizofrenia é um dos mais comuns estados graves de saúde mental. Os pacientes apresentam sintomas de psicose - incapacidade de distinguir entre realidade e imaginação, como alucinações e desilusões. O estado geralmente aparece no fim da adolescência (ou na casa dos 20 anos) e pode persistir pelo resto da vida da pessoa.

Substâncias químicas cerebrais chamadas neurotransmissores carregam sinais de uma célula nervosa par a outra. O estudo associou esquizofrenia a altos níveis, anormais, de um neurotransmissor chamado dopamina, em uma região do cérebro conhecida como estriato . Os medicamentos atualmente usados para tratar a esquizofrenia bloqueiam os efeitos da dopamina no cérebro . Mas estes remédios não são eficazes para todos os pacientes e podem apresentar sérios efeitos colaterais. A nova pesquisa-piloto , financiada pelo Conselho de Pesquisa Médica (MRC), juntou evidências de que altos níveis de dopamina em pessoas com sintomas psicóticos ocorrem como consequência de mudanças em outra substância química do cérebro, o glutamato. Células que liber am glutamato em uma região chamada hipocampo influenciam a atividade das células que liberam dopamina. Medicamentos que interferem nos sinais do glutamato no cérebro podem, portanto, prevenir sintomas psicóticos em pessoas com esquizofrenia. A esquizofrenia é uma doença devastadora, que destrói a vida das pessoas afligidas e também daquelas que vivem ao seu redor observa James Stone, do Departamento de Medicina do Imperial College London, primeiro autor do estudo.

Neste momento , os medicamentos que temos simplesmente não são adequados. Além de não ajudarem a todos, não acabam com alguns dos sintomas mais de bilitantes.

Os pesquisadores fizeram exames nos cérebros de 16 pessoas com um estado mental em risco par a psicose e em 12 voluntários saudáveis, para medir os níveis de glutamato e de dopamina. Nas pessoas com indícios de sintomas psicóticos, houve uma correlação negativa entre níveis de glutamato no hipocampo e níveis de dopamina na área do estriato. Houve uma correlação particularmente acentuada naqueles que continuaram a desenvolver a psicose posteriormente.

Os voluntários saudáveis não apresentaram nenhum tipo de correlação. Nos voluntários saudáveis, não houve relação clara entre glutamato e dopamina, mas nas pessoas com sinais de psicose percebemos esta relação anormal constatou Stone.

Isso indica que o trajeto indicador entre o hipocampo e o estriato é disfuncional, e nós talvez sejamos capazes de tratar isso mirando no sistema de glutamato. Se drogas que agem na sinalização de glutamato podem prevenir sintomas psicóticos, isso significaria uma verdadeira mudança na forma como as pessoas portador as de esquizofrenia são tratadas. O pesquisador adianta que o próximo passo será ver se os resultados obtidos serão confirmados em um grupo com amostragem maior de pessoas.

"Já existe um bom número de drogas que interferem na sinalização de glutamato" ressalta Stone. Então, espera-se que, em poucos anos, sejamos capaz es de começar a testar novos tratamentos para pessoas com esquizofrenia.

Chris Kennard, presidente do Conselho de Saúde e Neurociência do MRC, mostrou-se otimista com os resultados do estudo.

"Estudos como esses ajudam a desvendar os complexos mecanismos de doenças psiquiátricas e a nos deixar próximos de dro gas mais eficazes para pacientes com esquizofrenia" observa Kennard. "O MRC dá recursos para pesquisas com o intuito de levar descobertas científicas do laboratório para o paciente rapidamente. Se pudermos desenvolver drogas que previnam sintomas psicóticos, isso significará grande benefício para pacientes com esquizofrenia".

Os remédios que existem hoje não atendem a todos e podem causar sérios efeitos colaterais

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