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Clipping do dia:      08/10/2010
Data de veiculação: 08/10/2010

Rede Bom Dia

Tratamento permite vida normal a esquizofrênico

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Doença mental que ainda não tem cura, a esquizofrenia já não assusta tanto quanto no passado.

Mas o transtorno voltou a ganhar destaque após o estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, 25 anos – que é portador deste mal, segundo afirmou o pai dele em entrevistas –, ter confessado que matou o cartunista Glauco Vilas Boas, 53, no último dia 12.
Ainda de acordo com o pai de Cadu, a mãe e uma tia-avó do rapaz também sofriam desta doença, que pode ter um caráter hereditário. Desde 1948, quando surgiu o primeiro medicamento (clorpromazina), pessoas que sofrem deste distúrbio e fazem tratamento constante conseguem ter uma vida relativamente normal.

Até 1% da população
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a esquizofrenia afeta 1% da população mundial – cerca de 25 milhões de pessoas.

Em 2008, um censo feito pela Secretaria Estadual de Saúde em hospitais psiquiátricos paulistas apontou que 42,6% dos 6.690 pacientes sofriam de esquizofrenia ou transtornos esquizofrênicos e delirantes.

Como explica a psiquiatra Cristina Contigli, da Associação Brasileira de Psiquiatria, a esquizofrenia é a doença mental mais grave que existe e os médicos ainda não sabem exatamente o que a provoca.

Os medicamentos, porém, tornam os quadros mais toleráveis e permitem que os pacientes trabalhem e tenham até vida independente. “A doença não é mais um bicho-papão como antes”, afirma a médica.

Cristina se refere ao período, antes do surgimento das medicações, em que os pacientes eram internados em sanatórios, amarrados e até mesmo torturados. “Antigamente, não havia recursos. Hoje, o tratamento é mais humanizado e mais correto: os pacientes não ficam mais presos, podem circular”, diz.

O atendimento psicológico à família é outro fator fundamental para o tratamento. “Os familiares precisam saber como lidar com o paciente e não exclui-lo. Quem tem esquizofrenia consegue entender o que ocorre. É muito comum terem um QI muito alto”, explica a psiquiatra.

O tratamento é composto por medicamentos – que são oferecidos pelas secretarias de saúde –, terapia e atendimento assistencial, que pode incluir pintura, música e teatro. “O período de internação, se necessária, reduziu muito graças a este tratamento”, diz Cristina.

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